No dia 25, sábado passado, estivemos, representando o DCE da UFPE, no ato ecumenico em homenagem aos companheiros Josias e Samuel, assassinados 7 dias antes.
O Ato aconteceu em um assentamento na beira da BR em Moreno, em local próximo à ocupaçao onde aconteceu o crime.
Mais do que uma celebração religiosa, o momento serviu como um ato político que exigia justiça para a morte dos companheiros.
Momento marcado por um simbolismo muito forte.
Enquanto isso, Jaime Amorim, da direção nacional do Movimento, continuava preso no COTEL. Prisão arbitrária, claramente feita para confundir e provocar.
Só explicando, de forma bem rápida, ele foi preso quando saia do enterro de um dos companheiros assassinados. A acusação se referia a um protesto realizado na frente da embaixada americana no Recife, em Novembro de 2005, quando da visita de Bush ao Brasil. Por que só agora??
Hoje à tarde estivemos no TJ, na Joana Bezerra, onde vimos Jaime chegar algemado, prestar depoimento e SER LIBERADO, devido a um habeas corpus concedido pelo ministro do STJ, Nilson Naves. Para se ter uma idéia, policiais não queriam permitir a permanencia de militantes sem-terra e de outras entidades, como nós, representando o DCE UFPE, dentro do fórum.
Abaixo, segue uma carta escrita por Jaime Amorim, enquanto estava preso:
Companheiros e Companheiras,
Em primeiro lugar nossos cumprimentos com profundo sentimento de pesar e solidariedade às famílias de Josias e Samuel e a toda família Sem Terra.
Estamos vivendo um momento muito delicado da nossa história. Perdemos dois grandes e valorosos companheiros e dirigentes da nossa organização. Nesse momento vamos concentrar nossas forças em homenagear a esses dois grandes companheiros. A Josias e Samuel devemos homenagear de duas formas: a primeira são as homenagens concretas, confortando as famílias e companheiros de luta que conviviam com eles e em plantar o Bosque da Reforma Agrária em homenagem a todos que tombaram lutando pela Reforma Agrária.
Mas a principal forma de homenagem vai ser a de dedicar as nossas vidas com mais vigor, dedicação e empenho na luta pela causa, na luta pelo projeto que foi deles e é de todos nós. Esse pátria ainda vai ser livre da violência do latifúndio; que o sangue dos companheiros irriguem nossa esperança e nos dê força para lutar até a vitória.
Quanto à minha prisão, fiquem tranqüilos, estou bem. Apesar é claro que estar preso é sempre humilhante para qualquer ser humano. O sistema prisional no Brasil, é cruel. É uma fábrica de formação de delinqüentes, aqui não se prepara ninguém para viver na sociedade, aqui só se empurra as pessoas para a vida do sub-mundo. Nós do movimento podemos contribuir para a construção de uma nova proposta para o sistema prisional para o Brasil. Para que as pessoas possam pagar suas penas com mais dignidade.
Antecipadamente, em nome da Direção, agradecemos a todos e todas o apoio e solidariedade e a disposição de todos de se colocar a disposição para a luta. Mas não vamos nos deixar conduzir apenas pela emoção, não vamos ceder às provocações políticas. Vamos aguardar a convocação da Direção do MST que em conjunto com as organizações amigas saberão o momento certo da convocação da força da nossa base, para lutar contra mais uma arbitrariedade cometida pelo estado.
Por enquanto é certo dizer que o “tiro saiu pela culatra”. A prisão, ao invés de nos isolar, convocou a solidariedade e o apoio de incontáveis pessoas que, como diz Che, “são capazes de se indignar contra qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo”.
Abraços companheiros (as)
“Só caminha um povo que quer e sabe aonde quer chegar.”
Até a vitória.
Cotel, 25/08/2006